Em qualquer livro da história de Portugal, o 25 de Abril de 1974 é descrito como sendo a revolução dos cravos, a instauração da liberdade e dos valores democráticos. Pessoalmente, considero que a revolução de abril foi o catalisador para uma necessária evolução política. No entanto, a esquerda monopolizou o processo evolutivo, tendo direccionado o país para um rumo de absolutismo marxista, estatista e opressivo para os moderados.
Nesse processo evolutivo, os partidos democráticos – CDS, PPD e PS – tiveram um papel fundamental, em particular durante o Verão Quente.
Realço que os referidos partidos através do apelo à maioria silenciosa, promoveram, finalmente, a implementação de um regime democrático ocidental no dia 25 de Novembro de 1975.
Volvidos 32 anos após o 25 de Abril, será pertinente analisar o processo evolutivo a que Portugal tem sido sujeito.
Actualmente somos invadidos e confrontados com consecutivas tentativas de imposição de valores e de uma cultura que definitivamente não são os nossos.
Urge coragem e determinação em classificar e condenar os comportamentos da esquerda em Portugal.
Urge coragem e determinação em desapropriar bandeiras que, ao bom estilo da ideologia em questão, foram apropriadas sem qualquer direito.
Devo referir sem qualquer tipo de receio que a esquerda, no poder, é a primeira a limitar a liberdade de expressão, já que não é reconhecida a crítica quando esta é direccionada aos governantes em questão. A par da não permissão da crítica, surge a acção da teia que, com o tempo, foi montada na comunicação social, onde raramente líderes de opinião ou referências políticas de direita têm palco de actuação.
Há que afirmar, difundir e denunciar, com frontalidade e coragem, que os regimes comunistas, no século XX, mataram milhões de pessoas. Estes regimes tiveram como protagonistas, ideólogos e símbolos os mesmos, que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português têm, usam e apregoam hoje. É impossível ver e ficar indiferente a um partido que na sua bandeira usa a foice e o martelo, que nos seus eventos têm imagens de Lenine, Estaline, Marx e Mão Tse Tung, cujos jovens simpatizantes exibem peças de vestuário com os mesmos heróis. Será razoável aceitar, com indiferença, tal descaramento? Entendo que não.
Importa lembrar que a ideologia que hoje professa a liberdade religiosa nos seus discursos é a mesma que há 15 anos incendiava igrejas.
Democracia não é isto. Democracia é viver em sociedade com respeito pelo próximo, é a promoção da igualdade de oportunidades, onde todos vivem com a consciência de que a liberdade individual termina no exacto momento em que inicia a dos demais.
A atitude habitual da esquerda perante as instituições – sejam elas a família, o professor, a entidade patronal ou órgãos de soberania – é a de desrespeito pela autoridade e hierarquias. Tal atitude é consequência, por um lado, de uma atitude egoísta em que o bem individual é exaltado em detrimento do bem comum e, por outro, o contributo para que na desordem nada funcione, nada mude e tudo permaneça como está.
Uma das consequências naturais e identitárias da democracia é a vitória da maioria sobre a minoria. Vence quem colhe mais votos. Este é um dos pontos que a esquerda não compreende nem respeita, tentando consecutivamente impor a vontade das minorias.
O combate cultural tem necessariamente que começar por afirmar o orgulho de ser português e afirmar as tradições sócio-culturais lusitanas.
Neste contexto, deve ser sublinhado que o CDS não é nem nunca foi apologista da política do nim, da metodologia do nem aquece nem arrefece, muito menos dos artifícios eleitoralistas.
Acredito veementemente, que
O que é moralmente errado, nunca poderá ser correcto politicamente
Como tal, julgo ser pertinente redeclarar os valores nacionais. Pessoalmente acredito na Pátria, mas não num nacionalismo exclusivista; acredito na Família; na Iniciatitva Privada como motor da economia; na Moral como o conjunto de normas de convivência entre cidadãos; no Desenvolvimento Económico; na Justiça Social e na protecção do meio Ambiente.
Falando da Constituição de 1976.
A presente Constituição é um erro histórico: atrasou economicamente o país, equivocou-o socialmente e excluiu-o da realidade contemporânea.
Devo recordar que o CDS foi o único partido a votar contra a Constituição, sendo por isso o mais visionário de entre todas as forças partidárias.
Acredito que tudo o que começa mal, dificilmente se equilibra, mas quanto mais mudar no caminho da neutralidade ideológica menos mal ficará.
A título de exemplo, o preâmbulo da Constituição refere como meta o "abrir caminho para uma sociedade socialista".
Como se Portugal tivesse nascido numa manhã de Abril ou Maio, quando nasceu há mais de oito séculos, como se todos tivessem obrigação de caminhar para o socialismo, mesmo não sendo socialistas.
Não se pode ignorar o facto de que a nossa Lei fundamental é responsável pelas diferenças de desenvolvimento entre Portugal e Espanha, para além de que as Constituições dos novos países da União Europeia são Constituições enxutas, a nossa é prolixa, são pragmáticas, a nossa é programática.
Acredito que a Lei fundamental representa a matriz cultural do atraso português, sendo que a sua reforma aprofundada constitui um dever político geracional.
Não há outro dever político geracional que não seja lutar incessantemente pela reforma aprofundada da Constituição portuguesa até que se atinja um padrão constitucional novo e aceitável por todos.
É esse o apelo que faço aos portugueses nascidos após 74.
Há um combate cultural a fazer!
Sem receios, nem complexos!
Com coragem e com frontalidade!
Pelo bem de Portugal.